segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A.P. GALANTE


SEJA MARGINAL, SEJA HERÓI (ANTONIO POLO GALANTE)


Produtor de quase setenta filmes. A. P. Galante, como costuma assinar seus filmes, que foram sinônimos de produções ligeiras — alguns filmes foram concluídos em duas semanas.Tinha obsessão por dar título aos filmes e, para poder vendê-los aos exibidores, produzia o cartaz antes mesmo de o material estar pronto; mas sempre entregava tudo no prazo. Galante foi uma espécie de príncipe da Boca, uma lenda viva do nosso cinema.


confira uma otima entrevista com A.P. Galante, clicando nesse link http://oscurtosfilmes.blogspot.com/2008/10/p-galante.html


é o blog dum cara que trabalhei ha anos atrás em Mogi das Cruzes, manjado, antenado no cinema underground paulistano, vale a pena clicar!!


domingo, 6 de setembro de 2009

BONS DA BOCA (parte 2)

VIVA A BOCA
"...No circuito não dependente da Embrafilme, as películas de conteúdo erótico vão radicalizar seu discurso chegando ao sexo explícito. São Paulo conhecera sua Boca do Lixo, mais que uma produtora, uma associação lucrativa entre produtores e exibidores, principalmente no interior.
A crise econômica instalada no país, no fim da década, será o elemento diluidor do crescimento da atividade, e os anos 1980 vão revelar a outra face da moeda: desmobilizado o projeto cultural do Estado, imerso principalmente nas dificuldades econômicas que se abatem sobre as sociedades periféricas ao grande capital, a atividade cinematográfica retroage sensivelmente, adequando-se a uma escala menor. O esfacelamento da identidade da classe cinematográfica no acompanhamento daquele processo demonstrou a falência de uma utopia de independência e apontou para diferentes opções de atuação.
Durante os anos 1980 a Embrafilme enfrentou a crise econômica e a reorganização e redemocratização da sociedade civil (com a Anistia e as Diretas-Já) reduzindo o número de filmes produzidos, sob o argumento da necessidade de uma qualidade mais competitiva e de uma campanha de difamação na imprensa, baseada em supostos favorecimentos e corrupção..."
texto retirado do link

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

BONS DA BOCA (parte 1)

VIVA A BOCA
Poucos foram os estilos que tiveram sucesso de bilheteria. O cinema brasileiro sempre apoiou-se em individualidades que atraiam a massa e obtinham índices fenomenais de bilheteria: Mazzaropi, Derci Gonçalvens, Oscarito, Xuxa e Trapalhões. Todos cômicos. Ainda que famosos, poucos locomoviam-se para assistir especialmente, Anselmo Duarte, Alberto Ruschel, Procópio Ferreira ou Helio Solto.
O musical carioca ou chanchada, pelo contrário, tinha um público nacional, que ao longo dos anos 1945-1960, o acompanhava com fidelidade quase canina. O cangaço, em doses bem menores, ainda poderia ser citado e, por fim, o erótico.
O fenômeno denominado A boca, foi por sua vez, um produto rigidamente paulista, centralizado na rua do Triunfo e transversais, não teve pudor de acasalar-se com gêneros já descritos como o musical, o cangaço e o policial e a isso acrescentaram o erótico, lutando com a censura até a exibição do filme japonês, Império dos Sentidos, que permitiu o chamado explícito.
Naquilo que podemos classificar como o Ciclo da Boca, encontraremos a participação dos sertanejos, outra face da moeda conhecida como chanchada onde Copacabana, praia e Corcovado eram translados para a roça, carro de boi e mata em títulos que vão de Luar do Sertão a No Rancho Fundo.
Em outro setor, Cangaceiras Eróticas, Cangaceiro Sanguinário, Cangaceiros de Lampião, abundam em subtítulos semelhantes repletos de chapelões, chachados, diálogos de expressões nordestinas com sotaque do bairro do Bixiga, todos filmados no legítimo agreste de Itu.
Porém, e isso é pouco citado, A Boca nunca obteve dinheiro da Embrafilme.
continuação e explicação do porque A Boca não obteve esse dinheiro no proximo post, acompanhe.

sábado, 20 de junho de 2009

Entrevista com Jorge Mautner


Jorge Mautner
Compositor, escritor, poeta, músico e “filósofo de plantão”
Realizada no dia 09/10/07
Nas dependências do Sesc Pompéia


- Para você, o que é cultura marginal?

Eu diria que a cultura marginal é na verdade o nome da cultura em geral, eu não dividiria cultura marginal, cultura oficial.
Se você consultar até a História da Abril Cultura nos anos 60, 70, 80, ou até a História do Brasil do Jornal Folha de São Paulo ou Larousse, eu estou lá como o sendo iniciador disso, acabando com essa separação ao deslocar a produção social do nível da rebelião e acabando com a divisão entre a arte erudita e a arte popular, entre a arte acadêmica e a arte marginal. A música caipira era inferior, Mozart era superior, então nos meus livros eu faço já essa mistura, que hoje em dia se tornou um “kaos”, a qual colocava Araci de Almeida igual a Beethoven, discutindo por igual todos os arquétipos da cultura.

-Quando ela se originou?Na década de 60?

Então.. para mim, você tem razão de dizer que a cultura marginal nasce daquela época que a cultura acadêmica dominava muito, isso foi na década de 50: 1950, “Deus da Chuva e da Morte”, começou o Tropicalismo.

A mistura das coisas existe na natureza num plano assim digamos inferior num patamar bem... (gesto para baixo) que é caos com “c”, na hora que você, em vez de quebrar a cara do outro, você eleva para uma condição de discussão, ou uma disputa eclética, uma condição de arte, de música, festival, você elevou o conflito no nível de kaos com “k”, que gera essa discussão.
Só quero dizer então que esse programa, o musikaos é fantástico porque ele foi o primeiro programa a colocar o “rap”, entre os mais importantes. Inclusive eu até falei com “rapistas” e eles falaram: “Nóis é Literatura”. Aquela vontade do Brasil mesmo sem nem saber quase escrever, fazer uma poesia e, rimada, funk, tudo que é arte não considerada e consagrada se apresenta aqui, por igual respeitando as diferenças, eu acho que isso e o kaos com “k”.

- Você acha que a cultura Underground Tem seu valor social?

A cultura underground então tem seu valor social e é capaz de mudar alguns parâmetros sociais, a cultura sempre modificou. Por exemplo, Robert Marcuise, que é um filósofo, ele dizia que Mozart estava enregelado nos museus, nas academias e nas salas de concerto, então ele tinha que ter trazido para as ruas. E era o “jazz” que estava nas ruas, era o rock, e o próprio Mozart, ele era revolucionário, ele era a favor da Revolução Francesa, das Monts de Fígaro, e ele mesmo fazia muito “jazz”. Descobriu-se recentemente que Bach, Beethoven, Mozart faziam muito improviso, então a cultura é isso, é a Revolução Cultural, acho que é a maior esperança do planeta é isso...

- Como você vê a relação entre a cultura Marginal e a acadêmica?

A cultura marginal é bem mais espontânea, não fica dentro dos parâmetros. Mas não faria mal à cultura marginal, ou underground, se informar também um pouco mais da cultura acadêmica e a cultura acadêmica também se informar um pouco dessa cultura marginal. E deviam se fundir porque uma enriquece a outra, e vão se fundir em um futuro próximo, não há dúvidas. Eu já vi “rap”, por exemplo, que tem acordes de violão, já vai sofisticando.