VIVA A BOCA
Poucos foram os estilos que tiveram sucesso de bilheteria. O cinema brasileiro sempre apoiou-se em individualidades que atraiam a massa e obtinham índices fenomenais de bilheteria: Mazzaropi, Derci Gonçalvens, Oscarito, Xuxa e Trapalhões. Todos cômicos. Ainda que famosos, poucos locomoviam-se para assistir especialmente, Anselmo Duarte, Alberto Ruschel, Procópio Ferreira ou Helio Solto.
O musical carioca ou chanchada, pelo contrário, tinha um público nacional, que ao longo dos anos 1945-1960, o acompanhava com fidelidade quase canina. O cangaço, em doses bem menores, ainda poderia ser citado e, por fim, o erótico.
O fenômeno denominado A boca, foi por sua vez, um produto rigidamente paulista, centralizado na rua do Triunfo e transversais, não teve pudor de acasalar-se com gêneros já descritos como o musical, o cangaço e o policial e a isso acrescentaram o erótico, lutando com a censura até a exibição do filme japonês, Império dos Sentidos, que permitiu o chamado explícito.
Naquilo que podemos classificar como o Ciclo da Boca, encontraremos a participação dos sertanejos, outra face da moeda conhecida como chanchada onde Copacabana, praia e Corcovado eram translados para a roça, carro de boi e mata em títulos que vão de Luar do Sertão a No Rancho Fundo.
Em outro setor, Cangaceiras Eróticas, Cangaceiro Sanguinário, Cangaceiros de Lampião, abundam em subtítulos semelhantes repletos de chapelões, chachados, diálogos de expressões nordestinas com sotaque do bairro do Bixiga, todos filmados no legítimo agreste de Itu.
Porém, e isso é pouco citado, A Boca nunca obteve dinheiro da Embrafilme.
continuação e explicação do porque A Boca não obteve esse dinheiro no proximo post, acompanhe.