
Jorge Mautner
Compositor, escritor, poeta, músico e “filósofo de plantão”
Realizada no dia 09/10/07
Nas dependências do Sesc Pompéia
- Para você, o que é cultura marginal?
Eu diria que a cultura marginal é na verdade o nome da cultura em geral, eu não dividiria cultura marginal, cultura oficial.
Se você consultar até a História da Abril Cultura nos anos 60, 70, 80, ou até a História do Brasil do Jornal Folha de São Paulo ou Larousse, eu estou lá como o sendo iniciador disso, acabando com essa separação ao deslocar a produção social do nível da rebelião e acabando com a divisão entre a arte erudita e a arte popular, entre a arte acadêmica e a arte marginal. A música caipira era inferior, Mozart era superior, então nos meus livros eu faço já essa mistura, que hoje em dia se tornou um “kaos”, a qual colocava Araci de Almeida igual a Beethoven, discutindo por igual todos os arquétipos da cultura.
-Quando ela se originou?Na década de 60?
Então.. para mim, você tem razão de dizer que a cultura marginal nasce daquela época que a cultura acadêmica dominava muito, isso foi na década de 50: 1950, “Deus da Chuva e da Morte”, começou o Tropicalismo.
Compositor, escritor, poeta, músico e “filósofo de plantão”
Realizada no dia 09/10/07
Nas dependências do Sesc Pompéia
- Para você, o que é cultura marginal?
Eu diria que a cultura marginal é na verdade o nome da cultura em geral, eu não dividiria cultura marginal, cultura oficial.
Se você consultar até a História da Abril Cultura nos anos 60, 70, 80, ou até a História do Brasil do Jornal Folha de São Paulo ou Larousse, eu estou lá como o sendo iniciador disso, acabando com essa separação ao deslocar a produção social do nível da rebelião e acabando com a divisão entre a arte erudita e a arte popular, entre a arte acadêmica e a arte marginal. A música caipira era inferior, Mozart era superior, então nos meus livros eu faço já essa mistura, que hoje em dia se tornou um “kaos”, a qual colocava Araci de Almeida igual a Beethoven, discutindo por igual todos os arquétipos da cultura.
-Quando ela se originou?Na década de 60?
Então.. para mim, você tem razão de dizer que a cultura marginal nasce daquela época que a cultura acadêmica dominava muito, isso foi na década de 50: 1950, “Deus da Chuva e da Morte”, começou o Tropicalismo.
A mistura das coisas existe na natureza num plano assim digamos inferior num patamar bem... (gesto para baixo) que é caos com “c”, na hora que você, em vez de quebrar a cara do outro, você eleva para uma condição de discussão, ou uma disputa eclética, uma condição de arte, de música, festival, você elevou o conflito no nível de kaos com “k”, que gera essa discussão.
Só quero dizer então que esse programa, o musikaos é fantástico porque ele foi o primeiro programa a colocar o “rap”, entre os mais importantes. Inclusive eu até falei com “rapistas” e eles falaram: “Nóis é Literatura”. Aquela vontade do Brasil mesmo sem nem saber quase escrever, fazer uma poesia e, rimada, funk, tudo que é arte não considerada e consagrada se apresenta aqui, por igual respeitando as diferenças, eu acho que isso e o kaos com “k”.
- Você acha que a cultura Underground Tem seu valor social?
A cultura underground então tem seu valor social e é capaz de mudar alguns parâmetros sociais, a cultura sempre modificou. Por exemplo, Robert Marcuise, que é um filósofo, ele dizia que Mozart estava enregelado nos museus, nas academias e nas salas de concerto, então ele tinha que ter trazido para as ruas. E era o “jazz” que estava nas ruas, era o rock, e o próprio Mozart, ele era revolucionário, ele era a favor da Revolução Francesa, das Monts de Fígaro, e ele mesmo fazia muito “jazz”. Descobriu-se recentemente que Bach, Beethoven, Mozart faziam muito improviso, então a cultura é isso, é a Revolução Cultural, acho que é a maior esperança do planeta é isso...
- Como você vê a relação entre a cultura Marginal e a acadêmica?
A cultura marginal é bem mais espontânea, não fica dentro dos parâmetros. Mas não faria mal à cultura marginal, ou underground, se informar também um pouco mais da cultura acadêmica e a cultura acadêmica também se informar um pouco dessa cultura marginal. E deviam se fundir porque uma enriquece a outra, e vão se fundir em um futuro próximo, não há dúvidas. Eu já vi “rap”, por exemplo, que tem acordes de violão, já vai sofisticando.
Só quero dizer então que esse programa, o musikaos é fantástico porque ele foi o primeiro programa a colocar o “rap”, entre os mais importantes. Inclusive eu até falei com “rapistas” e eles falaram: “Nóis é Literatura”. Aquela vontade do Brasil mesmo sem nem saber quase escrever, fazer uma poesia e, rimada, funk, tudo que é arte não considerada e consagrada se apresenta aqui, por igual respeitando as diferenças, eu acho que isso e o kaos com “k”.
- Você acha que a cultura Underground Tem seu valor social?
A cultura underground então tem seu valor social e é capaz de mudar alguns parâmetros sociais, a cultura sempre modificou. Por exemplo, Robert Marcuise, que é um filósofo, ele dizia que Mozart estava enregelado nos museus, nas academias e nas salas de concerto, então ele tinha que ter trazido para as ruas. E era o “jazz” que estava nas ruas, era o rock, e o próprio Mozart, ele era revolucionário, ele era a favor da Revolução Francesa, das Monts de Fígaro, e ele mesmo fazia muito “jazz”. Descobriu-se recentemente que Bach, Beethoven, Mozart faziam muito improviso, então a cultura é isso, é a Revolução Cultural, acho que é a maior esperança do planeta é isso...
- Como você vê a relação entre a cultura Marginal e a acadêmica?
A cultura marginal é bem mais espontânea, não fica dentro dos parâmetros. Mas não faria mal à cultura marginal, ou underground, se informar também um pouco mais da cultura acadêmica e a cultura acadêmica também se informar um pouco dessa cultura marginal. E deviam se fundir porque uma enriquece a outra, e vão se fundir em um futuro próximo, não há dúvidas. Eu já vi “rap”, por exemplo, que tem acordes de violão, já vai sofisticando.

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